quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

You know what I mean

Sou uma porta de vento, um túnel de algodão, um poço de nada, nó doa garganta, cai ai se ele me apanha, coração batente encastrado, sopa de pó em castelo, contos de fados, enfadonhos factos, suspiros à meia luz, olhares mea culpa, touradas de rubis, esmeraldas no estendal...
Não tenho cura para o vazio e quem ma dera. Não tenho cura para nada e tenho um vírus no coração que me ataca o cérebro como uma térmita em roupa velha - só que a minha roupa não era para ser velha! Por isso nem quero imaginar. O que vai ser da minha rotina se nem a minha juventude me sabe a mar.
Quis construir uma ponte na esperança de que me contaminasse com areia da próxima praia, uma praia que partilhasse corrente o suficiente comigo para sentir o efeito que água mole tem em pedra dura na costa, nas minhas costas. Acontece que não passam carros, parece que agora o karma prefere andar de avião e não há maneira de os pneus que passam o rio arrastarem o que quer que seja de bom para o meu alcatrão, porque não passam carros, nem tão pouco peões - os poucos que aparecem parecem vir descalços, numa tentativa de confortar a minha pele e aquecer-me a voz como uma chávena de chá quente me aqueceria as mãos. Sopro e sopro e por mais que tente que saia o vapor não chega para me aquecer o nariz, e continuo a respirar um ar gelado, que cada vez que vejo um rasgo de cumplicidade se torna mais e mais cortante, porque é como chegar perto do comboio e ele arrancar sem mim, every time...
Sinto que estou sempre a tentar agradar as pessoas erradas, e a magoar as pessoas certas, numa espiral cheia de espinhos, sigo a certeza e ela segue-me a mim, de que um dia toda a gente na minha vida terá saído dela pelo próprio pé.

I must have had mine broken before I was six...

Sem comentários: