O que é facto é que sou eu quem faz a figura, porque sou eu quem parece tão afectada por virar a cara.
Mas não percebo porque é que isso te incomoda tanto.
Mal te retribuo duas palavras de simpatia, mal te mostro a mínima naturalidade, achas que podes fazer o que te apetecer. Achas que uma noite minha pode passar a ser tua. Achas que a minha pele é para as tuas mãos?
Nunca tiveste interesse em mim, e eu nunca te consegui perceber, que é o que me interessa, mas nem sequer tento... Nunca quiseste ouvir verdadeiramente o que quer que fosse que eu tivesse para dizer, apesar de ouvir tudo o que me quiseste contar (muito embora não percebesse se partilhavas por ser eu ou pela atenção - ou percebi bem demais), e no entanto vens agora lembrar-me de pequenas coisas que te confidenciei? Por amor de Deus... Quando sou eu a estar no lado da música, há sempre alguém que tira a minha cassete. Porque eu deixo. Não consigo ser de outra maneira, mas irrita-me que percebam isso e o usem contra mim.
Só queria que fosses declaradamente à procura de outra pessoa para levares para casa, e sinceramente acho que não estavas à minha procura, mas querias ter a certeza que eu pensasse que sim, por mais que te enxotasse.
Desde o primeiro segundo que puseste os olhos em mim fizeste questão de marcar território. Para ti as minhas costas são como o volante de um carro onde se quiseres e bem te apetecer podes passear o tempo e tictaquiar-me as costelas enquanto há trânsito. Só que mal abre a estrada elas esquecem-se do porquê, do interesse sequer da minha existência ou da minha utilidade... Porque sabias que em princípio eu não queria ir com ninguém para lado nenhum, porque para me levarem o corpo tão pouco me levam a alma. Mesmo assim, tinhas de jogar pelo seguro e lembrares-me, a cada approach, que notavas se eu olhasse de volta para alguém. Que tinhas algo a ver com isso. Não tinhas, na realidade não tinhas de todo e acho que sabes bem disso, porque para ti trata-se de ter um prato cheio e escolher e para mim trata-se de ver uma única peça e sentir-me colar a ela. E sabes que para mim a certa altura tiveste esse magnetismo, mas isso não quer dizer que eu não tenha percebido que te sentias perfeitamente confortável com a inversão instantânea dos pólos.
E nada do que tenha acontecido um dia nos meus olhos para os teus, nada que eu um dia te tenha dado a entender, nenhum beijo que me tenhas dado depois de uma piada parva, te dá o direito de me dares a mão em público, ou de olhares para mim como se fosse propriedade tua: tu não és minha e eu estabeleci isso há muito. É isso que te chateia? Que não tente ter-te muito embora às vezes te queira?
A mim chateia-me o facto de ser uma qualquer. Porra isso sim, dá-me cabo do sistema. Mas estás à vontade, quem faz a figura sou eu, porque se te evito, não sei ultrapassar as coisas e levo tudo muito a peito, e se te dou conversa, estou a pedi-las... Sinceramente, gostava de saber que figura fazes tu quando te esforças por me afastar "subtilmente" de qualquer gajo que me dirija a palavra.
Desta vez não tinhas desculpa, as proporções jogavam a teu favor. Era um favor que me fazias nem sequer tentares, era um favor que me fazias teres percebido mais cedo que eu não era, decididamente, a mais fácil para ti ali. E eu não te dei autorização para tratares como um boneco, pelo menos não com contrato vitalício...
Mas se é um pouco triste que eu tenha caído na tua, também o é que tu estejas bem com o facto de muitas olharem para ti como um rebound. Talvez seja isso que te deixa furioso. Gostava de ter tido a oportunidade de te dizer que para mim não foste, antes que me descartasses. Testaste a pessoa certa da maneira errada... Às tantas.
Porque é domingo à noite e eu estou a pensar nisto, e tu? Tu estás precisamente no mesmo sítio que estarias quer me tivesses usado quer não. A diferença é quem disfarça melhor, sweetie pie. Mas aposto que o buraco no teu coração é tão grande ou maior que o do meu.
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