domingo, 27 de janeiro de 2013

Já que não posso organizar a minha vida

Organizo o meu quarto.

Por vezes penso que tenho algum problema quando olho para a quantidade de vezes que limpo e arrumo o meu quarto de uma forma completamente diferente sem razão aparente. E sei que ao fim de uma semana já estou farta, mas... Já que não posso desempoeirar a cabeça, tento ao menos sacudir uns tapetes, e em vez de arrastar mágoas, bem, arrasto móveis... E sempre será melhor acartar livros e molduras e candeeiros e almofadas
que carregar problemas.

Tristezas não pagam dívidas. *

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

All the romance is dead


Ao som dos carros a passar seguidamente por cima das poças de água, a brisa nocturna nas costas abana a lã do veludo dos casacos, enquanto ela força o queixo para cima e com os olhos fita o seu rosto vago, quase suplicando aos céus por uma só palavra daquela boca cerrada, muda. Muda, por favor. Ele de olhos postos no chão com um desespero na garganta que se não fosse tão pesado atravessava o ar e pegava fogo à cidade. Os dois corpos balançam inquietados, ele trinca o ar seco que tem na boca como quem sufoca e não há maneira de fazer com que o coração dela pare de explodir a cada batida. Não há gelo no Inverno que lhe arrefeça as veias e sinceramente já sente a visão turva de tanto querer vê-lo olhá-la de volta, e às tantas já bem o pode imaginar a fazê-lo em tempo real e tudo não passar de uma ilusão - mas quase palpável!... Enquanto ela pensa que duas palavras seriam o suficiente para mudar o seu mundo ele sabe que mil palavras não chegam para mudar o que têm. Há-de olhá-lo daqui a 50 anos quando tudo isto não for mais que uma sombra num lençol branco ao vento e ainda há-de sentir aquela escuridão a pegar-lhe fogo aos pulmões.
Enquanto isso naquela cabeça passam todos os momentos de insanidade, todas as mesas viradas do avesso, todas as vezes que ela desceu o vidro do carro e pôs os pés cheios de areia e sal para fora, sem querer saber se o vestido revelava as suas coxas douradas a quem passasse - e quem a via passar e rir com a cabeça inclinada para trás agradecia, e ela ria um pouco mais. E nem mesmo isso chegava para lhe provocar ciúmes, porque ela era do mundo, ela tinha nascido com o mundo e ela nunca havia de acabar aos olhos de qualquer comum mortal. Ela era o vento e o seu perfume estava à volta dele até quando ia correr sozinho de madrugada, e não havia ninguém que ele quisesse tanto e em quem visse tanto, e ainda assim esses instantes de puro esmalte não conseguiam fazer com que não explodisse por ver outro homem pôr-lhe o braço pelas costas ou dar-lhe um beijo na testa. Ele tinha a certeza: por mais anos que passassem, ia vê-la sempre como uma parte de si que lhe era negada pelo destino.
E ela recusava-se a parar de olhar para o seu futuro. Era só o que desejava e acreditava piamente, pelo menos naquele momento, que ele era o único que poderia tocar piano nas suas costelas em frente a uma lareira acesa e fazê-la feliz numa casa sem mobília, porque era o único que algum dia seria capaz de encher todo o espaço livre à volta dela, e ainda assim em vez de invadida, fazê-la sentir-se segura e protegida. Sabia disso desde o dia em que acidentalmente o encontrara a ajudar o seu avô a fazer a barba enquanto lhe perguntava, como se já não a tivesse ouvido mil vezes, que lhe lembrasse qual era mesmo aquela canção com que conquistaste a avó? e a assobiava por entre um sorriso, que se abriu ainda mais, mesmo que ainda num misto de feliz e envergonhado, quando a reconheceu no canto do espelho.
Ela suplicava-lhe - pelo que importa, deixa-me ser tua.

- [crying] I told him I love him.
- Really? That's wonderful.
- No, it's not, it's horrible. I thought that if I could finally say it that everything would change, but he is just as selfish and solace as ever. Only a masochist could ever love such as narcissist. Help me. 

E ele continuava a pensar que ninguém é de ninguém, e que ela merece melhor e que nunca lhe sai da cabeça, e que ainda assim, não podia dizer-lho. Fizesse o que fizesse, ela já o tinha desde o fatídico dia em que tropeçara trapalhosamente no seu pé estendido no autocarro e se estatelara no seu peito, como quem lhe deixa cair o verão em cheio na cara; e só por si ela já era tudo o que ele tinha a perder.
Qualquer um deles podia jurar que aquele momento impaciente à beira do táxi durou pelo menos, uma vida inteira.
Por todas as vezes que se haviam gladiado, por todas as vezes que já tinham sentido a pele um do outro a ferver de dor, por todo o amor que se absorve quando alguém respira ao nosso lado quando acordamos a meio da noite às escuras, e pela forma como aquele corpo dormente aquece o espaço à volta da nossa pele. Por todas as maneiras como já tinham experimentado vingarem-se um do outro, acabando por se magoarem sempre mais e mais, como se fossem um só, como se fossem um nó, a caminho duma combustão espontânea acelerada. Por todos os campos de minas em que já se tinham feito jogar à macaca. Tanto querer que matava a poesia, consumia todo o oxigénio do mundo e asfixiava o poder de qualquer pensamento razoável. E ainda assim, ali estavam eles, agarrados por algo que parecia pesar um camião, e nenhum deles conseguia dar um passo noutra direcção. Qualquer ciúme. Qualquer amigo. Qualquer antigo namorado ou namorada, conseguia ver reflectir naqueles pares de pupilas dilatadas tudo o que algum dia poderia nelas aparecer e reconheceria o sinal do que é real, neste mundo e no outro. E eles conheciam-se como mais ninguém e de tantas maneiras diferentes que toda a gente conseguia ver isso, e ainda assim surpreendiam-se sempre, como reflexos do sol em ondas agitadas - eram flechas que espelhavam uma energia tão instável e ao mesmo tão hipnotizante que era como se estivessem constantemente a atirar bolas de vidro a um outro na roleta russa de tentarem não se cortar. But
Russian Roulette is not the same without a gun, and baby when it's love if it's not rough it isn't fun.

Eram demasiados os fantasmas irremediavelmente partilhados. E havia todos os motivos do mundo para pararem de atravessar o caminho um do outro, mas era como se entre os seus poros houvessem alarmes que os avisavam um do outro, estivessem à distância que estivessem, paredes no meio quantas houvessem.
- Tu sabes...
Duas palavras apenas - não eram as que ela implorava - alteraram a posição daquelas cabeças: enquanto ele lhe dirigiu os olhos, e prometeu a si mesmo que havia de amar aquela rapariga até ao fim dos seus dias, ela desceu a face e a esperança, e quis que o mundo acabasse ali, porque de qualquer forma não tinha forças para ir até casa e já tinha uma lágrima a arrefecer-lhe a palma da mão e porque raio é que passavam tantos carros e de repente sentia um vento frio tão insuportável, e... como é que não se tinha apercebido dos velhos bêbados na esplanada do café dois metros atrás dela na calçada escorregadia?
Duas palavras bastaram para rebentar a bolha e ambos acordarem do aquário onde estavam submersos há minutos.
E ela sabia.
- Para sempre.
Duas palavras mais, dois sussurros claros que se completavam. Quis combater ainda as suas entranhas, era como se o corpo dela estivesse programado para ir contra tudo aquilo que ela alguma vez quisera para a sua vida. Mas ainda assim.
Ele beijou-a, e abraçou-a. Por um... dois... três segundos, não mais, encontraram a paz necessária nos ombros um do outro. E era como nunca tivessem descolado os seus ossos e os seus músculos quentes daquele pedaço de passeio.
Para sempre,
Para sempre ali ficou um coração, duas metades feitas para serem apagadas por novas memórias e relações mais felizes. Menos gritantes, menos lancinantes, menos óbvias e menos enraizadas. Mais tranquilas, mais cristalinas. Melhores para o peito e para os olhos.
Mas
Para sempre, ele lhe havia de guardar uma dança. Para nunca mais aquele beijo, que selava uma tentativa de compreender o que é o amor, e o que é ser alguém com outro alguém e porém morrer aos bocados, e esfarelar aquilo a que queremos dar vida.
Descolaram-se os lábios e ela rodou lentamente os calcanhares, enquanto ele lhe segurava carinhosamente a mão, deixando para ela a definitiva tarefa de descolar-se da sua, apenas facilitada pela força gravítica e pelo impulso da idade. E de cabeça baixa ela seguiu, rumo nem sabia onde, apenas para fora dali, enquanto ele a olhava pacificamente e colocava as mãos nos bolsos, sorrindo orgulhosamente por saber que tinha libertado a mais bonita coisa que alguma vez o amara. E ela sabia-o, embora não o visse. Deixava para trás o melhor homem que conhecera e sentia os bons futuros que ele lhe imaginava.
E ainda hoje, aquela travessa está marcada no mapa das duas metades livres daqueles corações, como um pionés enferrujado e aparentemente insignificante, mas que de qualquer maneira ninguém desencrava das pedras daquela calçada - porque nessa noite, até mortas elas choraram.




Young love.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

me down

All my life i've been trying to blame someone, something, for the way I feel
I've tried a million different ways to look at things, to justify them, but honestly I don't think the people or all the stuff that happens around me have responsibility on this
It just piles up and I "choose" to look at it this way
The thing is, I think, I honestly do, I think I try to fight it.
But ultimately, I will always feel like shit no matter what is going on in my life. Some times I just feel shittier longer than others, that's all.
I have this thing where I crave for happiness and I nostalgically travel to places I've never been and people I've never really met trying to think of a time when I wasn't broken. Except that it's like I've always been. And try as I might, I can never explain this to anyone. Or can I? The way I see it, ultimately people have their stuff too, and they have things to deal with and bills to pay and dinner to make and I mean, how long will they stay beside me? Enough to let me finish talking?
I guess some could really, but I don't want to be that burden for anyone, 'cause I'm a little sick of those who don't realise when they are taking much more than they are giving.
Why is it that somehow the people who demand less are the ones who restrain themselves more for not wanting to cross the line, and the people who keep using your willingness to love them are the ones who don't notice at all when you need their love? I mean, one thing leads to another but it really should be the other way around... Wtv
What I've been thinking about, really, is that I still love '90s' sad songs
and that I miss the way some friends used to show they loved me simply by allowing me to be myself, pure gold and pure shit, and showing me they wanted my presence, they cared for my company.
and that it makes me sad to think the way I lost some people, even though they're so close, I still can't touch them like I could, with a warm hug anytime.
I've grown feeling that I'm clingy and that shit has made me more self conscious than anyone could ever imagine, but that's that and when people make me feel like it's okay to spill out what ever form of love I feel for them they begin to agree with me and after a while they just get tired of the way I go out of my way to see them happy.
And that just sucks
And it just sucks that I feel this way, and that there have been so little moments of happiness in my life that I actually don't regret
And that I got hurt in so many different ways and that I can't find a person willing to understand me, and love me still without seeing me differently, and without judging me. Because everyone does, it's true, but we should learn to speak in the name of love and tiptoe around people's feeling like they were cotton, because in reality, they are. They are as fragil as it gets. And there's enough hurt in the world for me to be causing more.

So I suck it in and count to infinity. This is my life and nobody's gonna save me. But I keep wishing someone will come along and for a second turn around and realise I need help saving myself. As long as they know what it's like, it's okay. As long as they don't feel awkward, it's okay. Because all I really need is to feel comfortable enough around someone to be who I am when no one's watching. Someone who doesn't get scared with that and somehow can tell me I'm beautiful in a way I think it is possibly true.

http://www.youtube.com/watch?v=6HJ9NUC9M0U
whatever, I'll edit tomorrow

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

You know what I mean

Sou uma porta de vento, um túnel de algodão, um poço de nada, nó doa garganta, cai ai se ele me apanha, coração batente encastrado, sopa de pó em castelo, contos de fados, enfadonhos factos, suspiros à meia luz, olhares mea culpa, touradas de rubis, esmeraldas no estendal...
Não tenho cura para o vazio e quem ma dera. Não tenho cura para nada e tenho um vírus no coração que me ataca o cérebro como uma térmita em roupa velha - só que a minha roupa não era para ser velha! Por isso nem quero imaginar. O que vai ser da minha rotina se nem a minha juventude me sabe a mar.
Quis construir uma ponte na esperança de que me contaminasse com areia da próxima praia, uma praia que partilhasse corrente o suficiente comigo para sentir o efeito que água mole tem em pedra dura na costa, nas minhas costas. Acontece que não passam carros, parece que agora o karma prefere andar de avião e não há maneira de os pneus que passam o rio arrastarem o que quer que seja de bom para o meu alcatrão, porque não passam carros, nem tão pouco peões - os poucos que aparecem parecem vir descalços, numa tentativa de confortar a minha pele e aquecer-me a voz como uma chávena de chá quente me aqueceria as mãos. Sopro e sopro e por mais que tente que saia o vapor não chega para me aquecer o nariz, e continuo a respirar um ar gelado, que cada vez que vejo um rasgo de cumplicidade se torna mais e mais cortante, porque é como chegar perto do comboio e ele arrancar sem mim, every time...
Sinto que estou sempre a tentar agradar as pessoas erradas, e a magoar as pessoas certas, numa espiral cheia de espinhos, sigo a certeza e ela segue-me a mim, de que um dia toda a gente na minha vida terá saído dela pelo próprio pé.

I must have had mine broken before I was six...