sábado, 19 de março de 2011

There's a reason why I keep writing shit so often

Eu antes era uma gaja porreira e não me importava tanto com o que os outros sofreriam ou com o que os poderiam ter dentro deles.
Depois, comecei a descobrir que todos (e mesmo todos) nós temos coisas dentro de nós que não devem ser pisadas, não devem ser apontadas, não devem ser abaladas nem apertadas nem sequer sopradas ou olhadas. Todos nós gostamos de ser bem tratados, de receber um sorriso caloroso, honesto, um abraço acolhedor que nos faça sentir que a nossa presença é importante e desejada, assim como todos nós gostamos de partilhar uma gargalhada com alguém que nos conhece de dentro para fora, e que consegue ver de fora o que muitas vezes nem nós próprios vemos por dentro.
Comecei a descobrir que todos acabamos a pagar pelos nossos próprios erros, e bem ou mal pode ser que outros nos ajudem, mas temos de aprender com eles, e sem sofrer não percebemos o sofrimento que causámos a alguém.
E desde sempre me lembro de pensar muito no que os outros estariam a achar do que eu fazia, e desde pequena me lembro de ser insegura e achar que se calhar não gostavam tanto assim do que eu tinha planeado, caso contrário não se iam rir de mim ou mandar-me calar.
E ainda hoje odeio que me mandem calar, e ainda hoje odeio que me batam na cara, e ainda hoje odeio que me batam, seja como for sem que possa ripostar, e ainda hoje odeio que me dominem, e ainda hoje odeio subjugar-me tanto quanto procuro conscientemente não subjugar os outros, e ainda hoje detesto que falem de mim entre dentes, assim como ainda hoje faço tudo isso a outras pessoas, porque não me sei defender de outra forma, porque de alguma forma deixo de me aguentar exposta dentro de uma multidão, porque sempre me hei-de sentir ameaçada, e sempre me hei-de rever no espelho de quem me rodeia, e nunca hei-de conseguir sentir o que é na realidade gostarem de mim do que sou realmente e saber sempre isso.
Nunca hei-de saber se existe alguém que me conheça, capaz disso. Acho que sim, de certa forma, uma ou outra pessoa que tenha sofrido muito (por alguma razão percebem-me sem eu ter passado mal na vida) e não veja o futuro no presente feliz.
Por alguma razão alguns de nós já sentimos aquela dor quente, aquela lâmina dentro dos músculos, aquele estado de não estar nem compreender, aquela vontade de ser mudar, tentar ser diferente do que temos dentro de nós e encarar a realidade como uma forma de ser feliz e não uma fugaz e insegura promessa que nos há-de deixar cair.

EU NÃO QUERO SER ISSO. Eu não quero ser quem sou e Deus que me perdoe e alguém que me perceba: não faço por ser como sou, nem por fazer mal às pessoas, nem por achar constantemente que não estou à altura de ninguém, nem por achar que as pessoas estão fartas de me aturar, nem por pensar tanto nisso, sempre que estou na mó de baixo.

Eu sou forte. Sou muito forte, mas quando me começaram a fazer sentir que não havia problema nenhum em deixar cair a armadura, enganaram-me. Há. Para mim há porque eu não posso depender de ninguém. Há, porque estou cada vez mais e mais fraca. Há porque isto não me sai do peito e magoa-me até à terra que apenas me digam carinhosamente "mas não tens razões para pensar assim..."
Que só eu sei...

Que assim seja. As pessoas felizes que dominem. E é que nem sempre necessariamente as expectativas elevadas ajudam à real projecção na pessoa daquilo que tenta ser,
Às vezes um bom sentido de humor faz muito mais por nós do que tudo o resto, e se perguntarem (o que quer que seja), é daí que vem a resposta...


Música de nhanha mas gosto.

E é quando tentamos ser melhores que mais gente nos magoa. Então desculpem, se estou triste às vezes e não me calo.

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