Acho que nunca nenhuma música me deu tanta vontade de chorar.
E às vezes, como agora, embora acredite tanto nela como na esperança, sinto aquele fiozinho de dor no coração. Aquele fiozinho que se sente quando nos lembramos de como batemos no fundo e de como doeu, e de como parecia impossível levantarmo-nos...
Acho que nunca, arrisco mesmo a usar a palavra nunca, nenhuma música me ensinou tanto a dor que é, mais do que um coração partido, o ver tudo a cair à nossa frente, alguém a desistir de nós e o não podermos fazer nada contra isso. E a partir daí percebi que, pelo menos para mim, essa dor é capaz de ser maior quando nos dão mesmo tudo do que quando nos prometem farrapos.
Acho que esta música me ensinou a chorar. Ensinou-me como dói as pessoas desistirem de nós, do que somos, do que pensávamos que tínhamos de bom e de amável, de como a vida pode ser puta e de como podemos deixar de ser a pedra preciosa de alguém.
Esta música ensinou-me que o amor dói. Cada acorde acertou no meu coração como uma lâmina quente, e cada vez que a guitarra soa meia distorcida uma lágrima esquecida, perdida, dormente, mexe-se lá dentro, e sei que um dia ainda hei-de dançá-la agarrada a alguém. Não sei quem, nem quando nem como, mas venha.
Esta música ensinou-me que mesmo que por vezes não o vejamos, e mesmo que depois aprendamos que ele não existe,
um dia, sabe-se lá quando, por mais anos que passem, um dia, na nossa vida, em todas as vidas talvez, na vida de alguém, o amor existiu.
Isto são só ideias estúpidas porque ultimamente tenho dificuldade em adormecer, dou por mim a tremer de um frio que não é necessariamente exterior e estou farta de não saber o que fazer às culpas por atribuir...
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