domingo, 19 de setembro de 2010

Descuidada e indisfarçavelmente dirigida

Porque é que tem de ser tão difícil?, amar-te.

De onde é que vem esta merda, de onde é que vem este medo constante, de onde é que vem a tua incompreensão?
Desde quando é que o querer demais impede o ter de todo?
Desde quando é que eu sou a menina que não sabe o que tem nas mãos, e não sabe o que fazer ao que tem nas mãos?
Desde quando é que não sou e penso que sou?
Queria-te conseguir explicar porque é que isto me dói e porque é que eu fico assim.
De facto, nem era conseguir explicar, era só que tu entendesses.
Para mim, todos os momentos contam. Eu corro dez minutos se for para poder estar cinco contigo.
Eu penso no fim do dia logo às nove da manhã porque sei que quanto mais tempo tiver para planear as coisas de modo a poder fazer o que quero, melhor elas devem correr.
Eu fico acordada mais tempo se tu quiseres que espere por ti para dormir.
Eu deito-me mais cedo ou mais tarde, e independentemente disso, também me levanto quando tiver que ser.
Porque para mim, vale a pena.
Queria que percebesses o que me consome. O não saber.
Neste momento, por mais que digas que tentas, e por mais que na realidade tentes, mesmo quando eu não estou a contar, nunca consigo saber se para ti estar tempo comigo é preciso.
Porque eu antecipo. Ela dizia que "se vieres às 4 já estou feliz às 3", pois eu digo-te, se fores embora às 5, já estou triste às 4.
Então quando são 2 ou 3, eu penso em tudo, eu faço tudo tudo tudo o que posso, para poder estar contigo não até às 4:40, não até às 4:59, mas até às 5:00.
Porque para mim, cada 60 segundos a menos moem. E não percebes? Obrigas-me a deperdiçar 60, e 60 e 60 a olhar para o vazio, porque não consigo estar ao pé de ti, nem sentir-me segura como sentia.
E é fácil, é assim, é com uma piada que tudo descamba, para tu veres o que elas doem.
Diz uma, diz duas e é a brincar, mas não esperes até eu estar nos teus braços para dizeres a terceira e eu não querer evaporar.
"Que drama... O que é se passa que agora atrofias com tudo? O que é que eu fiz? Tu não eras assim...
Tu não fizeste nada, tal como eu não fiz nada. O problema é nosso, e não sai de entre nós, e está bem no meio do espaço onde eu mais gostava de encostar a cabeça e respirar. O problema é um armário velho, feio e pesado, escuro e cheio de esqueletos.
E eu especo aqui a olhar para ele, empurro empurro e ele não sai. Até que me sento no chão ou me deito na cama a chorar - se tu soubesses o quanto eu choro!, e quer queira quer não, estou outra vez a olhar para o traste e dou comigo a pensar... como é tão fácil o medo se realizar, na combinação de pequenas inseguranças com pequenas falhas em demonstrações, e crescer para se tornar num grande grande peso, com espinhos, dentro do peito, a dar-me murros na garganta.
E a melhor parte é que tirando o que está dentro do meu peito, está tudo na tua mão!

Sabes que tenho um medo de fazer tremer as pernas de não voltar a adormecer no teu abraço, ao som do teu coração?
Acho que isso resume tudo.
Até para a semana, L.

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