O que fazem os erros é tornar a vida interessante.
O que fazem os erros é tirar a sensação de vómito que provocam as pessoas perfeitas, plásticas.
Se errar, não me vou arrepender.
Se fraquejar não me vou arrepender de ter tido coragem.
Podemos sempre ser cães e depois da merda feita sacudir-lhe a terra para cima.
Ou pôr areia para os olhos enquanto esperamos evitar apanhar um chapadão.
Com os erros, todos os erros é que aprendi o que é que custa, quanto é que dói o quê, e com os erros é que olho para os sítios para as caras para as pessoas para os cheiros e para as datas e para os números e para dentro e vejo - e hei-de ver sempre - o que é que não é para repetir.
E às vezes repito. Mas não faz mal, porque isso só vai confirmar a minha estupidez e fazer-me sentir pior, mas no fim vou olhar à volta outra vez e já percebi que não hei-de conseguir cometer o mesmo erro outra vez sem perder um bocado de coração e de cabeça.
E as memórias são o pior. Se fores o tipo de pessoa que se lembra de tudo, tudo até ao último detalhe, se fores daquelas pessoas para quem fazer por esquecer só faz lembrar mais, hás-de perceber-me, que as memórias são o pior.
Quando dou por mim estou quase de olhos fechados a suspender-me no espaço e no tempo, sem precisar sequer de ar, e a minha garganta fecha, aperta-se e aperta-me, e sufoca-me e os meus olhos ficam quentes vermelhos e o meu nariz pica.
E não sei onde é que estou, não sei onde é que estava, nunca sei, porque dei um salto e o mundo não parou, e tenho que fingir que estive lá o tempo todo, como se tivesse estado soterrada sete dias e me desenterrassem, e me metralhassem com perguntas sobre as notícias dessa semana.
Mas não me vou arrepender, não me hei-de arrepender, como não me arrependo - ou pelo menos não devia -, e vou fazer um esforço enorme por isso.
Porque não me posso arrepender dos erros que me trouxeram até aqui, até um sítio bom., nem dos erros que me vão levar mais baixo, porque só a partir de baixo é que posso subir.
Não sabes que te queixas demais do que tens, do que pensas que não tens, do que queres e do que pensas que não queres?
Precisava disto, e vou precisar que andes cá nos próximos tempos, que fiques aqui comigo quando eles se vão todos embora, que vão para eu pensar.
Eu e tu vamos perceber o que queremos, porque sempre funcionámos assim, unha com a minha carne.
E vais-me levar lá, nem que seja em cima da hora. Nem que chegue a ti atrasada. Podes-me enganar como sempre fizeste, mas não me enganas mais que os outros e as vontades dos outros, porque tu sabes.
E no fim, sabes, não me vou arrepender de nada, nunca - não posso - de ouvir o que tu dizes, as palavras que tens para me esmurrar.
E os erros que cometermos vamos estar lá, unas, para olhar para trás, para eles. E vamos estar lá para chorar e bater com a cabeça, e adormecer sem querer acordar a pesar tanto, da mesma maneira que já o fizemos.
E não me vou arrepender, porque a vida é isto, é isto mesmo, e um dia pode acabar mais cedo do que os anteriores, porque tem que acabar num deles, mas vou saber que em vez de a ver passar, lutei. Lutei, perdi, cresci mas no fim ganhei.
Ganhámos. Obrigado, antes que fechem as cortinas.
Fuckin awesome.

2 comentários:
Eu identifico-me taaaanto ! Acredita que te compreendo ...
E hoje, mas HOJE mesmo ouvi essa música ao menos 20x seguidas com um amigo meu, chego aqui e tem-la ! LINDO !
Amo-te <3
Os erros, apesar de doerem, fazem-nos crescer enquanto pessoas e aprender algo mais. Aprender que não se deve repetir, porque dói e pode doer a outras pessoas. Mas toda a gente acaba por cometer novamente o mesmo erro. A isso chama-se teimosia, com um pouco de estupidez à mistura.
Por muito que erres, por muito que eu erre, vou estar sempre aqui para te ajudar a levantar dessas cabeçadas valentes :)
Ly sis
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