quarta-feira, 10 de março de 2010

Vai tentando ser isto...

Dei-te matéria negra

Poemas, não,
não sei o que são
amor,
Nem o que serão
depois,
quando o vento vier sussurrar às palavras
e aos corações.

Amor, não,
não sei contar
Sei que caminhas mais leve,
ajudas a bruma a levitar.

Poetas, não,
não conheço
nem sei recitar
Palavras, não,
não as sei manejar
não as há que consiga desbravar.

Mostrei-te o meu baralho,
dei-te as espadas mais afiadas
os trunfos de ouro, as copas
são tuas
Só podes ganhar.
Pessoas, não,
Não conheço que escutem o que digo
Com o teu respirar de verão.


Lua Cacau

Desembrulhei o papel de alumínio frio
como quem rasgava pele quente
A promessa em branco que mal me atrevia a tocar
hesitou sob os meus dedos trémulos, a dormitar

Saber que estávamos ali
sem descortinar o fim da noite o início do dia
Não importava, saber ali chegava.

Num gesto prendeste a minha mão,
liga de bronze com um braço,
Ar frio não corta sangue quente,
não desenhei um passo.

Sem impores uma palavra fugiste à regra.
O resto e os outros,
Um barco que não aguenta marés
quebra.

Mostrei-te o meu baralho,
(sem te querer cortar)
dei-te as espadas mais afiadas,
os trunfos de ouro, as copas
são tuas.
Não me dei mais ao trabalho de jogar, só tu
podes ganhar.

E usas palavras em chama inocentemente,
Mas não sinto nada que escute o meu pulsar
como o teu respirar de Verão,
Sempre.

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