sábado, 15 de junho de 2013

anx

Sinto arame farpado à volta do estômago. Celofane a enrolar-me os pulmões. Folha de lixa  a forrar-me o coração. Ácido a enroscar-me os ossos.
Sinto e sufoco, com pequenos flocos de poeira a flutuar por entre os estores que tenho por costelas, enquanto expiro para fechá-las à luz ténue do começo da noite.
Estalos os dedos das mãos e pouso-as sobre o peito.
Tacteio o fundo das costas com os polegares apoiados na cintura, faço de conta que a minha coluna é um xilofone e deixo-me estar.
Tenho coisas para fazer. Dou voltas à sala para desperdiçar energia que sei que preciso e ter alguma desculpa inconsciente para o cansaço insistente e desmotivado que trago no bolso.
Estico-me contra o cortinado branco e deixo subir a camisola, caio na cama e fecho os olhos. É só uma vida. Vou fazer dela qualquer coisa. Um dia.

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