quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Um dia e uma noite
Deixámos de usar as roupas para passarmos a deixar que as roupas nos identificassem e fôssemos nós o objecto etiquetado. Em todo o lado nos deixamos associar a um número ou a uma conta, e seguimos alegremente, como pacotes de arroz e latas de atum a fazer bip na caixa. Comunicamos virtualmente e de repente sentimos falta de uma ou outra pessoa... esquecemo-nos de que todos somos feitos de emoção e receptividade e que todos podemos ter azar. E ao invés de vivermos uns para os outros, vivemos uns com os outros, uns sem os outros. Sistematizados, obedientes, cordeiros mansos, na sociedade que fabricamos e impulsionamos com a nossa empenhada passividade. O "elo mais fraco" é o elo mais leve... deixamos que as pessoas nos passem ao lado e nos escapem por entre os dedos, porque estamos demasiado empenhados em seguir o estabelecido, conveniente, aceite. E no entretanto, somos ilhas solitárias, assoberbadas de futilidade e cheias de um vazio humano que pesa prédios cheios de gente. Todos rodeados pelo mesmo mar e sem conseguir alcançar a próxima costa - é que estávamos demasiado ocupados a olhar para os barcos para termos aprendido a nadar.
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2 comentários:
Desculpa lá a linguagem, mas foda-se, tu escreves tanto!
ahahah A-DO-REI! Muito obrigado <3 li o teu último texto e não sabes o bem que me fez, thanks to your talent :)
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