Eu escrevi isto algures em julho e ficou para aqui perdido... Já não faz muito sentido senão em termos metafóricos, mas resolvi deixar por aqui à mesma...
«Um dia conheceste uma rapariga... enfim não era uma história muito diferente das outras, mas por algum motivo... Ela era feliz, ela sorria e ria-se, dava-se bem com os amigos, tinha bons amigos e saía com eles e não era um fardo, era parte de alguma coisa.
E bem, ela falava contigo, ela dava-te atenção e ao mesmo tempo era um desafio. Fazia de contas que te deixava entrar na vida dela, mas sem seres convidado. Era uma porta entreaberta, que se deixava perceber com o vento. Lá de dentro ouvias gargalhadas despreocupadas. Nunca ouviste o choro que ninguém ouvia...
Até que um dia percebeste que a porta não batia e não trancava por uma razão, tu. Tu eras a razão pela qual aquela porta se mantinha aberta, e talvez te tenhas apercebido que se não te apressasses alguém podia entrar no teu lugar.
E em vez de esquecimento passaste à acção, entraste e fizeste daquela a tua casa.
Mas nunca trancaste a porta. Tiveste sempre um pé preso lá fora.
E parabéns, pelas entradas e saídas, por levares a música contigo, a luz, os amigos, tudo.
Desta vez resolveste achar que a mobília estava já muito estragada para sobreviverem duas pessoas debaixo desse mesmo tecto que tiveram tanto trabalho a manter e a fazer crescer.
Ela partiu tudo e construiu tudo de novo - limpou o pó, abriu as janelas, sacudiu os tapetes, mudou o papel de parede, envernizou as madeiras e poliu as pedras. As fundações estão lá, são as mesmas, garanto-te que isso nunca mudou por ti.
Agora que vês a pequena casa que deixaste, o potencial que negligenciaste e como faz frio nas mansões, queres entrar outra vez. E vê a fila à tua frente, vê as cortinas que balançam, a porta escancarada: tudo para outra pessoa. Tudo para quem está à tua frente, ocupado a pensar e a olhar bem para dentro antes de bater à porta. E ainda por cima alguém que tenho a certeza que vai demorar, vai limpar os sapatos antes de entrar, e vai sorrir quando eu vir que trouxe tudo o que era preciso, a resposta ao convite, o "eu também".
Sempre ouvi dizer que quem ri por último ri melhor. Não se trata de rir, mas de ser mesmo, mesmo feliz.
E eu estou a tratar disso, sem qualquer arrependimento, convictamente. Deal with yourself!»
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