domingo, 9 de janeiro de 2011

Oportunidades

Nós queremos sair, queremo-nos divertir, queremos gritar e correr, queremos deitar-nos de manhã e acordar ao fim da tarde, queremos bom tempo, mas…
Eles fecham-nos em casas, rodeados de cimento, quando queremos andar descalços põe-nos sapatos, quando queremos dormir mandam-nos estudar, quando queremos dançar temos trabalhos para entregar, quando queremos ir para a praia, chove, quando queremos viajar eles remetem-nos para a estabilidade e quando queremos ir a um concerto dizem-nos que fica muito caro.
Dinheiro, tem sempre tudo a ver com dinheiro. As responsabilidades, a cabeça no lugar, as pessoas a envelhecerem com o consolo do "até não nos podemos queixar, há tanta gente no Mundo a passar fome, a nós graças a Deus nunca nos faltou nada…" que na verdade é uma frustração, quando olhamos para quem manda e vemos que para eles… Se chover, viajam até um clima tropical, se houver um concerto o bilhete é-lhes oferecido, numa cabina privativa com direito a ar condicionado, se quiserem dançar, dão uma festa no jardim que é provavelmente maior que a casa dos nossos avós, se quiserem ganhar dinheiro, after all, pagam a alguém que trabalhe por eles e no fim assinam uns quantos papéis, bom investimento.
E nós temos que fechar os olhos porque as sociedades modernas evoluíram no sentido hipócrita da democracia, em que teoricamente o povo é que manda, mas que na prática só dá ao povo a hipótese de escolher para mandar um entre poucos que de alguma forma conseguem chegar ao topo da elegibilidade. Nós temos que fechar os olhos, porque na realidade, se não trabalharmos, se não nos esforçarmos desde cedo, não vamos a lado nenhum. Alto lá, nós não vamos a lado nenhum, porque alguns se dão ao luxo de não ter que fazer nada para ir a todo o lado. E é por isso que as pessoas se revoltam: quando todos têm que fazer sacrifícios, não há desânimo que não se ultrapasse, não há querer que não traga mudanças; mas quando quem pisa o tapete sem sequer limpar os sapatos de marca (mas cheios de lama) primeiro, ainda pede a quem é pisado para não ganhar rugas de preocupação, nem perder a cor de irritação, torna-se um bocado provável que as coisas não saiam da cepa torta…
Era este o futuro que sonhavam para os vossos filhos, senhores humanidade?
Era o trabalho e o esforço, mas e o retorno? Era liberdade, mas e a liberdade do seguinte? Era a igualdade, mas então porque é que são uns mais iguais que outros? Era a fraternidade, mas então porque é que uns são irmãos e os outros são adoptados?
Porque sim. Daqui a uns tempos…

1 comentário:

:- disse...

Infelizmente, tens tanta razão :S