Eu não sou nenhum borracho. Basta olhar por mim abaixo e sei ver o meu corpo como aparece no espelho: sou uma tábua rasa, não tenho um corpo feminino nem curvas para mostrar, e o mais que se aproxima disso é uma espécie de linha bem tratada da parte de quem me fez, que exige desporto e não quer cá desleixos.
Não tenho um tom de pele daqueles "oh meu Deus" de fazer inveja: tenho uma cor branca, que de cada vez que estou triste se reflecte na minha cara e logo alguém me interroga "o que é que tu tens, está muito branquinha, estás com má cara...". Não tenho que falar da minha cara, porque enfim o meu sorriso foi premiado com a medalha de prata do dentista, os meus olhos são escuros, castanhos portugueses, afastados e tem umas covas esquisitas em que pouca gente repara mas todos estranham, as minhas sobrancelhas são tímidas e indecisas e teimam em não querer uma forma traçada, tal como caminhos, e para mais não gosto do meu nariz, o pobre coitado que nunca me fez mal nenhum. O meu cabelo é bonito mas é baço e espigado porque não tenho o carinho certo com ele, não dispenso tempo e dinheiro a saber tratá-lo.
Mas isto quer dizer o quê? A minha auto estima não é uma merda, vivo bem com o corpo que tenho e não tenho grandes complexos, isto sou eu e sempre o aceitei mais ou menos bem, e rio-me bastante disso, o que até acho positivo. Sou uma rapariga normal. Nem abençoada, nem tremendamente irremediável.
Mas qualquer rapariga gosta que o rapaz olhe para ela com aquele brilhozinho nos olhos, que ela só sabe reconhecer quando é isso que procura. E não digo "um rapaz" porque com um rapaz nós assustamo-nos - e acho que é isso que eles não sabem: nós só gostamos do olhar do rapaz, só gostamos de olhar para o rapaz, e só queremos que toda a gente morra de inveja de nós pelo rapaz - e não por trinta, como algumas almas infelizes tentam fazer transparecer.
Qualquer rapariga quer ser apanhada desprevenida a estudar pelo rapaz que chega cedo de algum lado e abraça pelas costas, como se ela fosse o seu mundo - e que seja, um cliché: a sensação de protecção. Qualquer rapariga é feliz por se sentir aninhada no peito do rapaz.
Falo por mim que só fui feliz quando me fizeste sentir segura ao pé de ti.
Qualquer rapariga quer que um rapaz lhe passe a mão pelas costas, lhe mexa com carinho no cabelo comprido, ou curto, e qualquer rapariga quer que o rapaz lhe pegue na cara com as duas mãos e a aproxime da dele, para sentir que é para ela, e só para ela, que ele quer falar com aquele sorriso.
Qualquer rapariga quer estar sentada com os amigos e ver o rapaz aproximar-se, pedir para darem um jeito para se sentar ao pé dela, e pousar a mão na sua perna, o que se traduz por "quero estar ao pé de ti", em linguagem de quem lá está.
Qualquer rapariga quer que o rapaz desista de discutir e a abrace de olhos fechados.
Qualquer rapariga quer que esse abraço seja afastado da multidão a passos seguros, e que só eles saibam o que se está a passar no meio da respiração e das lágrimas.
Qualquer rapariga quer ser tratada como uma princesa. E qualquer rapariga quer que o seu príncipe a deixe ser a noiva da festa, e qualquer rapariga quer que ele a pegue pela mão e a leve lado a lado. E acima de tudo, qualquer rapariga quer que o príncipe para quem olha a deixe amá-lo, de coração completo e completamente aberto - sem ter de sair ferida por isso.
Qualquer rapariga quer, e a verdade é que qualquer rapariga merece.
E o que vocês não sabem é que é tão fácil levá-las ao seu estado mais puro, de inocência, de não querer o mal de ninguém e despir todas as incertezas e inseguranças que têm sobre as pessoas. Vocês não sabem o quão fácil é fazer uma rapariga despojar-se da sua armadura, e não sabem como é preciso ser-se digno para o fazer, e como fazê-lo com vontade, paciência e carinho é importante.
Tal como é humano uma rapariga transformar um rapaz que quer gingar numa pessoa que está completamente embrenhada no perfume de outra.
Tal como é crucial respeitarmos os corações uns dos outros, sempre.
Mas vocês não sabem o que é ter alguém que se importa mais com o vosso bem estar do que com uma saída à noite. Alguém que prefere abraçar o vosso corpo cansado a uma ida à praia.
O que vocês não sabem, é que quando encontrarem essa, a vossa rapariga, a tal, ela vos vai ensinar tudo isto num piscar de olhos, e quando derem por ela já têm os vossos dedos tão entrelaçados nos dela como se de magnetismo se tratasse entre vocês os dois (que serão vocês o um). E por isso é que um dia ela vos dirá que dão sentido ao mundo dela: porque tu és o meu Norte.
E façam a cara de paspalhos que se julgam demasiado incompenetráveis para fazer, mas que ela distingue a milhas.
Apaixonem-se pessoas. Muitas vezes, porque na verdade, foi para isso que nascemos seres humanos - para nos apaixonarmos por nós e pelos outros e por tudo.
2 comentários:
Não mudava sequer uma vírgula. Adoro "ler-te"!
Eu tive de mudar uma ou outra entretanto, porque a escrever sai tudo de seguida e é sempre umas horitas depois que me apercebo das asneiras. :$ mas obrigado, sabes o que isso significa para mim. Ly <3
Enviar um comentário