quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Não sei como lidar com...

Eu tentei arranhar-te da minha pele; tentei evaporar o teu cheiro, tirá-lo da minha roupa, do meu nariz, riscar essa memória do meu olfacto, destilá-lo nos meus poros; tentei queimar a tua camisola com os meus olhos e guardar tudo numa caixa, tirar do meu espaço os teus objectos, pensei nisso várias vezes, mas achei que era pior criar um poço cheio de ti... seria como um remoinho do qual não conseguiria fugir, e essa melancolia atraír-me-ia ainda mais.
Tentei não olhar para ti.
Mas a verdade é que te procuro sempre, incessantemente, em todo o lado. E mais verdade ainda é que agora me é difícil lembrar-me dos pormenores do teu rosto. Estás tão desfocado meu querido, parece que não te vejo há anos. Eu evitei-te porque não conseguia lidar contigo, mas por onde quer que ande pareço tropeçar sempre em ti, e toda a gente acorre a explicar-me o que se passa.
Não, na verdade não, mas as pessoas que o fizeram bastaram para mexer tanto comigo... Demasiado.
Por agora consegui o que queria, deste-me alguma coisa - as minha mais ou menos respostas consolam-me aquilo que me remoía, o não saber. Agora está tudo, reside tudo, repousa inquietamente tudo, no verbo aceitar.
Aceitar-te, fora de mim, fora da minha vida.
No matter how much I miss you, no matter how much it hurts, não interessa se para ti é mais fácil.
Está tudo bem... eu só não sei o que faço.

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