segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Mudástee
Falo por mim quando digo que já não sei em quem acreditar.
Há quanto tempo é que... Não posso ter vontade própria?
♥ Gosto.
sábado, 9 de outubro de 2010
Escrevistontem
O vento frio e húmido era uma mera sombra na paisagem: tornara-se... nulo, por esquecimento.
Não seria correcto dizer "no meio do abraço", porque nomear um meio implicaria ditar a existência de uma divisão entre duas partes. Portanto, no quente do abraço, os limites passaram de físicos a incorpóreos, e o frio exterior isolou a fusão entre os dois ritmos cardíacos. Sem notar, mais uma vez, ela viu-se atraiçoada pela incorporação da sua voz e apenas conseguiu sussurrar Amo-te.,
Ouviste?
harmoniosamente, numa espiral, descolaram-se os corpos por meio de aguçar os sentidos
Ham?
e os olhares fixaram-se na pergunta.
Eu amo-te. Ouvis...
No calor das pupilas dilatadas, ele ouvira a metade que faltava do seu Eu gosto de ti.
E tenho saudades de nós... Mas...
Tocaram-se os rostos, e ela tentou fintar a réstea fresca de lágrima que lhe ardia no contacto. Seria imprudente, e foi, uma lágrima achar-se no direito de tentar impedir que se unisse aquilo que nunca está, nem estivera, separado.
Sem que ele soubesse, num movimento os seus olhos ajoelharam-se e imploraram um sentimento tão grande e com tão poucas letras; para ela, poder ler-lhe isso tão somente na pele que a tocava na ponta do nariz, e dar-lhe o que sempre de mais certo tinha em si, era a melhor coisa do Mundo - e dar porque se quer.
E soou um repetido, convicto, mais que sussurro, e certamente com a vontade de uma verdade,
Amo-te.
Os lábios encontraram-se novamente em casa, lugar de olhos fechados e abraço uno.
Se à primeira ele perguntou, ouviu e a apertou contra si, agora ela era em si.
E, indubitavelmente, ele era nela.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Posso nem sempre te perceber, mas sinto-me a andar sobre o paraíso.
Amor podia escrever cinquenta metáforas diferentes. Não ia dar em nada. Tu sabes e eu sei, que por mais que tente escrever, posso ficar um bocadinho mais leve, mas não é sempre que te consigo dizer tudo.
Eu tenho feito um esforço. Tu tens feito um esforço.
Eu sei, eu vejo isso, é difícil de conseguir mas é fácil de ver.
Tens-me tratado como uma verdadeira princesa.
É claro que não temos muito tempo para estar juntos... Mas já pensei várias vezes que só nos parece isto assim porque em comparação com agora, antes tínhamos "todo o tempo do Mundo".
Mas não me importo de não poder estar contigo todos os dias. Quer dizer, odeio isto, se eu mandasse vivias comigo "já estamos quase casados" ahah, mas o que eu quero dizer é que consigo aguentar, se simplesmente puseres algum esforço (que é o que tens feito) na simples tarefa de me mostrar que quando podes estar comigo, queres estar comigo.
"Como é da tarde?
É nossa :o"
O que me custa é quando trememos duvidarmos tanto. Cada vez acredito mais que darmo-nos aos outros, na nossa forma mais pura e vulnerável, deve ser um augúrio de bem.
Infelizmente para mim, resultou mal muitas vezes, mais que as suficientes. Mas como eu também não sou nada de que me possa vangloriar, e já fiz mal a muita gente que só me quis e/ou quer bem, só contando as vezes em que me apercebi, enfim, não me posso queixar de por vezes elas me terem caído em cima.
Tenho tentado aprender a pôr de parte o meu orgulho. É difícil, sabes porquê? Fui ensinada (não quer dizer que cumprisse, só quer dizer que me ensinaram) a respeitar os outros para ser respeitada. Fui ensinada a não rebaixar ninguém, a não espezinhar ninguém por razões fúteis, que nem chegam a ser razões. Fui ensinada a rezar pelas pessoas de quem não gosto. É curioso, não é? Rezar pela paz e felicidade de alguém que sentimos estar a uma oportunidade de distância de nos fazer cometer um homicídio irado. Isto tudo para dizer que me criaram com a intenção, penso eu, de fazer de mim alguém que não precisasse de passar por cima de ninguém para estar seguro de si, entre outras coisas.
E então, não sei se é indirectamente por isto, mas eu tenho um medo terrível de confiar nas pessoas! Acho sempre que tenho de ter a certeza que as pessoas à minha volta querem mesmo estar comigo, e que não o estão a fazer por frete. Tenho sempre que confiar muito, a minha vida eu diria, nessas pessoas, para me sentir segura e à vontade. E aí sim, não vejo limites em dar, em querer estar lá para lhes retribuir tudo o que lhes devo.
De que é que eu estou a falar?
Amor não é uma grande declaração,
é deixar-te comer o jantar todo que preparei enquanto eu comi restos do almoço,
é fazeres-me massagens nos pés quando sabes que estou a morrer de morte moderna,
é ficar com as costas mal apoiadas na madeira para te poderes deitar confortavelmente ao meu colo, e Deus queira, passares pelas brasas,
é carregares as minhas mochilas quando me estou a sentir mal porque há dias em que ser menina é fodido.,
é beijinhos na barriga,
é estares doente e saíres de casa durante a noite para eu não estar a chorar sozinha.
Amor é muito mais que grandes poemas e muito menos que grandes gestos.
Amor não é difícil, temos só que dar sempre mais um bocadinho de nós, mesmo quando achamos que, estando prestes a ceder, devemos levantar a armadura e lutar pela sobrevivência. E é por te querer dar tanto, que me custa pensar que erro, que tantas vezes te magoei porque não dei mais, porque não dei a outra face, por ser orgulhosa.
Se pudesses contar todas as vezes que olhei para ti com palavras a ferverem-me na garganta, a ponto de sentir a minha língua a cortar-se, e que não consegui abrir a boca para tas dizer, porque achei que isso ia ser fraqueza, bem...
Só agora é que começo a acreditar, só agora é que começo a perceber, que ser forte muitas vezes não está em aguentar tudo calados, mas em ter a coragem de dizer aquilo que nos atormenta, mesmo que saibamos que estamos a jogar os nossos trunfos todos pela janela fora.
Já não faz mal, o teu baralho é igualzinho ao meu, deixámos de contar os pontos e agora basta pedires para teres na mão o meu Às de Espadas.
Só quero aprender, para conseguir fazer os maus tempos passarem mais depressa, e os bons durarem mais. Só quero esquecer-me das pequenas coisas habituais que me magoam, e focar-me em proteger as que me fazem bem.
Agora, que uma coisa é certa, é: não posso ser só eu a vulnerável.
Se no início eras tu quem não me conhecia, hoje os papéis inverteram-se e tu sabes mais sobre mim do que aparentemente algum dia eu posso vir a saber sobre ti.
Não tenhas segredos para mim, porque às vezes tenho medo de saber mesmo o que estás a pensar, e de qualquer das formas é melhor que mo digas.
Love = Log (x)
Eu tentei ver na máquina e ela ficou sem pilhas. Ainda não percebi.