quarta-feira, 14 de abril de 2010

estás lá e cá...

O que fazem os erros é tornar a vida interessante.
O que fazem os erros é tirar a sensação de vómito que provocam as pessoas perfeitas, plásticas.

Se errar, não me vou arrepender.
Se fraquejar não me vou arrepender de ter tido coragem.

Podemos sempre ser cães e depois da merda feita sacudir-lhe a terra para cima.
Ou pôr areia para os olhos enquanto esperamos evitar apanhar um chapadão.

Com os erros, todos os erros é que aprendi o que é que custa, quanto é que dói o quê, e com os erros é que olho para os sítios para as caras para as pessoas para os cheiros e para as datas e para os números e para dentro e vejo - e hei-de ver sempre - o que é que não é para repetir.
E às vezes repito. Mas não faz mal, porque isso só vai confirmar a minha estupidez e fazer-me sentir pior, mas no fim vou olhar à volta outra vez e já percebi que não hei-de conseguir cometer o mesmo erro outra vez sem perder um bocado de coração e de cabeça.

E as memórias são o pior. Se fores o tipo de pessoa que se lembra de tudo, tudo até ao último detalhe, se fores daquelas pessoas para quem fazer por esquecer só faz lembrar mais, hás-de perceber-me, que as memórias são o pior.
Quando dou por mim estou quase de olhos fechados a suspender-me no espaço e no tempo, sem precisar sequer de ar, e a minha garganta fecha, aperta-se e aperta-me, e sufoca-me e os meus olhos ficam quentes vermelhos e o meu nariz pica.
E não sei onde é que estou, não sei onde é que estava, nunca sei, porque dei um salto e o mundo não parou, e tenho que fingir que estive lá o tempo todo, como se tivesse estado soterrada sete dias e me desenterrassem, e me metralhassem com perguntas sobre as notícias dessa semana.

Mas não me vou arrepender, não me hei-de arrepender, como não me arrependo - ou pelo menos não devia -, e vou fazer um esforço enorme por isso.
Porque não me posso arrepender dos erros que me trouxeram até aqui, até um sítio bom., nem dos erros que me vão levar mais baixo, porque só a partir de baixo é que posso subir.

Não sabes que te queixas demais do que tens, do que pensas que não tens, do que queres e do que pensas que não queres?
Precisava disto, e vou precisar que andes cá nos próximos tempos, que fiques aqui comigo quando eles se vão todos embora, que vão para eu pensar.
Eu e tu vamos perceber o que queremos, porque sempre funcionámos assim, unha com a minha carne.
E vais-me levar lá, nem que seja em cima da hora. Nem que chegue a ti atrasada. Podes-me enganar como sempre fizeste, mas não me enganas mais que os outros e as vontades dos outros, porque tu sabes.

E no fim, sabes, não me vou arrepender de nada, nunca - não posso - de ouvir o que tu dizes, as palavras que tens para me esmurrar.
E os erros que cometermos vamos estar lá, unas, para olhar para trás, para eles. E vamos estar lá para chorar e bater com a cabeça, e adormecer sem querer acordar a pesar tanto, da mesma maneira que já o fizemos.

E não me vou arrepender, porque a vida é isto, é isto mesmo, e um dia pode acabar mais cedo do que os anteriores, porque tem que acabar num deles, mas vou saber que em vez de a ver passar, lutei. Lutei, perdi, cresci mas no fim ganhei.

Ganhámos. Obrigado, antes que fechem as cortinas.

Fuckin awesome.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A todos aqueles que eu já

Odiei:

Desculpem, a culpa nunca foi vossa. A culpa tanto não foi, como não é, vossa.
Assim, há pessoas que vos amam, e quem muda de situação para situação não são vocês, são elas e eu, logo o problema sou eu, e portanto, desculpem.
Desculpem não vos suportar, a vocês e às vossas atitudes - independentemente de serem piores ou melhores que as minhas, se as querem comparar escrevam-me vocês uma carta.
Desculpem não vos poder ve
r à frente, desculpem que me apeteça encarar-vos até desviarem o olhar, ou eu o desviar por desinteresse. Desculpem criticar interiormente com ironia e desprezo cada atitude mais parva, menos do meu agrado, que vocês tomam. Desculpem rir-me das vossas caras de cu. Desculpem gozar com vocês, chamar-vos nomes que vocês nem imaginam, insultar-vos a torto e a direito só porque sim, apetece-me.
Desculpem serem vocês o meu saco de pancada, desculpem que descarregue todas as minhas frustrações e raivas em vocês só porque tenho uma tendência natural - talvez até biológica - para vos odiar mais do que ao comum dos mortais - que até desses gosto pouco...
Desculpem pelo facto de não sermos compatíveis, e de isso por vezes não me ser indiferente.
Desculpem por me divertir com isso, com esse atrito, e então - já agora - acho que o posso dizer assim: desculpem que me divirta às vossas custas.
Não peço desculpa é pelo facto de não me integrar no vosso Mundinho, porque por muito pequena e insignificante que a minha existência vos possa parecer, estou em crer que seria muito mais interessante se vocês não fizessem parte dela, porque embora não pareça - já que vocês só são os meus bonequinhos de voodoo porque eu quero *.* - eu estou-me bem a cagar, para as vossas merdas!
E agora, agora a sério, desculpem ter-vos conhecido um dia. Acreditem, que o meu ódio tem uma extensão estúpida e eu vivia bem sem ele, e que era muito melhor para toda a gente que não se tivessem lembrado de entornar água e azeite na mesma taça!

Então, meus grandes ... (a quantidade de nomes bonitos que vos chamo cá dentro), peço desculpa, sinceramente., a culpa é minha que não me entendo com as vossas maneiras de ser, atitudes, ou quaisquer outras tretas psicológicas/comportamentais que não partilhemos.
Gostava só que alguns de vocês pudessem tornar a minha vida útil, e me odiassem com todo o vosso coração (sim, é preciso muito coração para odiar, e o meu é grande desse lado!), e eu sei - sempre soube, seus marotitos - que odeiam. Uns quase tanto como eu, outros tanto, e outros até mais.
Porque no fundo, sendo que a minha vida nunca criou grandes expectativas a ninguém, até é um favor que me fazem rogarem-me pragas: é da maneira que me torno imune às merdas. Isto tudo visto que eu também desejo, ou desejei em alturas da minha vida, secretamente, e bastantes vezes, a vossa infelicidade. :)

Chamem-me o que quiserem, quantos mais me odeiam, mais eu consigo ver que os que estão lá, estão lá a sério.



Amei:


Desculpem,
a culpa é vossa. E obrigado por isso, por que se vos amei, em algum ponto, e o mais provável é que isso dure até hoje, significa que tiveram o poder de me fazer sentir bem - um bem que não se compra, um bem que não vai à máquina e não seca e que não podemos voltar a usar se não acontecer que o sintamos.
E se o que fizeram foi amar-me de volta, então a culpa foi minha, enganei-vos sem querer.

E é raro, amar alguém a ponto não de dizer para nos vangloriarmos, mas de sentirmos, sabermos cá dentro, que dar a vida por essa pessoa não seria algo a pôr em questão, a considerar. Sabemos simplesmente que seria fácil, que não haveria ponderações a fazer. Porque não pô-las à nossa frente seria como comprimirmos o nosso próprio coração num torno até o esmagar.
E é como é raro haver pessoas de quem gostemos tanto que pareça que foram feitas para nós, pessoas cuja felicidade é a nossa felicidade, pessoas cujo bem estar nos é tão importante como o ar que respiramos.
E mais raro é serem tantas.

O "amo-te" não devia ser usado assim, tão facilmente, tão levianamente, a não ser que o instante isolado o justificasse, a não ser que se soubesse naquele ponto do espaço e do tempo que ele era verdadeiro., aí sim, não interessaria a razão.
Fora isso, até haver certezas, o amo-te devia ser usado como um perfume que está quase quase a acabar, ou com a calma com que se saboreia a última fatia de bolo ou a última colher de sobremesa, o mesmo passo arrastado de ainda-não com que se vira a página 499 de um romance de quinhentas, que parece tão pequena aos olhos sedentos e que tem de durar por mil.

Se cada vez que te disser que te amo tentar pensar nisso com a sinceridade que quero, e pensar na importância que
isso tem, posso dizê-lo menos vezes do que mereces, mas vai estar carregado de obrigados e abraços apertados e palavras boas que só se dizem com os olhos e com o canto dos lábios., garanto - te.