quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Nos meus anos

este texto não tem o mínimo interesse - não que os outros tenham algum, mas este não tem mesmo nenhum.

Nos meus anos eu choro.

Choro sempre. Isto é, de todas as vezes que me lembro chorei.
Fico deprimida.

Uma vez chorei porque
... discuti com a minha mãe por causa de umas bermudas verdes escuras que mais tarde achei giras, mas nunca mais as vi - isto no dia anterior, mas chorei pelos dois dias, e no dia seguinte chorei à mesma.

... morreu um senhor da minha família que estava acamado há mais ou menos tantos anos quantos eu tinha de vida, e eu, de forma egoísta, roguei pragas a quem quis que ele fosse morrer no dia do meu aniversário, porque por causa disso os meus primos não o puderam vir passar comigo.
... tive um desgosto amoroso. Aliás, fizeram-me passar grande vergonha na minha festa de anos por causa de um "arranjinho" - uma das coisas que mais me irrita no planeta, sempre me irritou -, e à pála disso fiquei magoada com amigos meus.
... o meu pai resolveu que eu tinha de comer arroz de marisco - dá-me vómitos -, e esta não foi no dia 10, foi no domingo em que quiseram fazer um almoço por mim, coisa que me baralha, festejar os anos noutro dia.
... o meu irmão pôs o curso inteiro dele a cantar-me os parabéns num jantar de gala (já me esquecia) - sou sensível.
Posso não ter chorado nos outros mas também não tenho certezas.

E ontem? Ontem estava à espera. A sensação de vazio veio, do nada como sempre, a irritação. A insensibilidade, os poros fecham-se. Não passa nada porque os meus sentidos passam a ser sintéticos. Não passa para nenhum dos lados, nem para dentro nem para fora, acho.
Já me perguntei se é de ficar mais velha, o peso da responsabilidade que só trás mais perguntas, já que as decisões nunca surgem como respostas.
TRETAS. Balelas.
Também podia ser biológico. Mas isso é só tão estúpido como baseado na aleatoriedade.
Mais TRETAS. Mais balelas.
As circunstâncias? A ansiedade que se gera nas pessoas à minha volta, ou em mim, não sei, uns a tentar passar a batata quente aos outros, o dia normal que se torna diferente e o dia diferente que continua normal.
Talvez. Mas cá para mim mais tretas, mais balelas. Não sei de ninguém a quem dê disto.

E ontem? Ontem estava à espera. Estava a dizer a mim própria que a desculpa ia ser ter teste intermédio hoje.
Mas esse só desculpou as asneiras que disse misturadas com o "eu vou ter nega".
E estava apagada e pensava que ia chorar.
Mas não chorei. Ainda estou para saber porquê. Não quebrou.

Isto intrigou-me. Tanto que quando comecei este raciocínio pensava que ele ia acabar salgado.
Mas não. Mas olha,... tass bem!


Eu avisei, que não tinha interesse nenhum. Espero sinceramente que não tenhas perdido o teu tempo a ponto de chegares aqui.

1 comentário:

biscoito disse...

Normalmente eu estou deprimida e deve ser também o caso este ano :/