Cortaste o cabelo e passaste por mim.
Cortaste o cabelo e olhaste para mim.
Cortaste o cabelo, e olhaste-me nos olhos.
Cortaste o cabelo e sorriste.
Tinha saudades de sermos pessoas normais.
Com tantos cortes de cabelo, ao longo de tantos anos, já não era sem tempo que aquelas fracções de segundo deixassem de ser um embaraço demorado.
Tu cresceste, espero eu (e não leves isto a mal, talvez tenhas crescido menos por teres menos para crescer que eu); eu cresci; nós (e aqui lê-me bem expressamente o "nós, como quem diz", porque na realidade não há mais que tu e eu, far far apart, - coexistimos, simplesmente...) crescemos.
E estamos bem assim, sabes, meu caro. Um dia destes quando te vir passar - porque muitas vezes nos vamos voltar a cruzar - hei-de parar. Um dia destes olho para ti nos olhos e pergunto-te "Como estás?" e espero que me digas que estás bem. Espero que me sorrias honestamente. Espero que me perdoes os ressentimentos que possas ter (como eu já há muito te perdoei). E espero que possamos dizer "Tinha saudades de falar contigo, até uma próxima.".
E num olhar, sorrir; num olhar, apagar as mágoas., para mim agora tão ridículas.
Porque o teu sorriso, apesar de tudo, sempre me pareceu, de entre muitos outros, um dos mais calorosos, honestos.
Espero não estar errada. :)
Só há uma coisa que ainda te havia de perguntar: porque é que não cortaste o cabelo há mais tempo?
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