Era algo de que não me podia esquecer.
Há momentos em que estou tão fria que nem água a ferver sinto na pele. Nada queima. Nada sequer toca ou atinge.
É como se se criasse uma camada de gelo entre a pele e os ossos. Alguma espécie de metal do árctico nas veias, a substituir o sangue. Corre pelo corpo todo e os arrepios são mais que muitos.
No entanto não é o meu coração que o bombeia. Há quantos milhões de anos? Não sei, mas parece que há um dinossauro dentro de mim a bafejar-me com chamas feitas de espigões a mil graus abaixo de zero. Zero - 0.
Não adianta sequer pensar em tirar a roupa e atirar-me para um mar de lava, que seja. Nada aconteceria. A temperatura talvez me derretesse o corpo, mas eu continuaria ali, simplesmente a flutuar, como se fosse imune ao calor.
Brrrrr. Tremo como se choques eléctricos me fossem dados de cinco em cinco segundos.
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(5 segundos)
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Percebes?
As minhas veias começam a doer, parece que incham como gelo e vão explodir.
Imagino os efeitos especiais disto num filme. A dor nem se ia notar na expressão facial embebida pela maquilhagem.
Não adianta ligar um aquecedor quando se está mergulhado numa banheira de gelo. Ou adianta?
Experimenta ligar uma ventoinha no deserto.
(Ou mergulha na areia, como queiras.)
Depois diz-me o que achaste!
1 comentário:
Pois sim, estás a congelar, mas como uma vez disseste "nem que quebre esse gelo todo com uma picareta". E então, como vai ser: queres que arranje uma ou ofereces-me uma como prenda de natal? ^^
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