terça-feira, 9 de setembro de 2008

@Mar

Sabes que debaixo de água é mais fácil. É mais fácil fingir que o tempo não passa e que vais ficar ali, naquele sítio fresco, natural e indiferente, indiferentemente.
É mais fácil pensares que o Verão que te dura aqueles instantes na pele vai durar o ano todo.
Que vais ficar assim, leve entre o sol e a água gelada, entre o quente e o frio. Sem te preocupares com a chuva.
Dura Verão, dura.
E é o que ele te diz, simplesmente: é mais fácil ficares aqui. Canso.te, mas sou suave dentro das minhas frias tempestades. Combates a tentação se quiseres, e sabes que depois de te deitares ao sol eu estarei aqui, para que sintas o meu choque de novo.
O frio que nos lava por completo. Cansa.nos o corpo, e leva.nos pedaços da alma.
Sabes que é mais fácil ficares ali, debaixo de água e sem respirar, com o sol a brilhar no mar, a flutuar. Quando subires, parte de ti vai.se interrogar sobre o que te aconteceu, sobre o que ficou submerso e o que veio à tona. Se um pedaço de pele ferida, se uma nova cicatriz provocada pelas agressões do sal e das pedras aguçadas. E quando tudo isso desaparecer, só te lembrarás do prazer que te deu nadar, e do ímpeto que sentes em mergulhar outra vez, para fazer o Verão durar. Durar. :)


----- (há alguns dias atrás)-----

E durou. Com certeza que durou. Senti.o queimar.me as entranhas com a maresia, e soube bem saber, ou pensar, que a Natureza ainda podia fazer algo por mim. Enquanto ainda aqui estou, e enquanto as loucuras do raciocínio não me levarem para longe da praia.
Não te despeças de mim, Verão. Faz durar a sensação de despreendimento que a convivência e a comunicação roubam.
No mar posso falar, comigo. Sabes que isso não acontece assim tantas vezes.
Portanto dura, como duraria uma inscrição feita na pedra.
Dura no meu imaginário, para que possa fugir para uma paisagem de liberdade sempre que me apetecer.

Sem comentários: