http://www.youtube.com/watch?v=6xx_pwu7n-Y
este vídeo fez um certo sentido.
Guess what? Everything is gonna be just fine. And you know what? You're sad right now, this sucks. But it's gonna be who you're supposed to be and you have to get through this so that you can be cool, awesome (...)
Sempre me perguntaram porque é que só entrava em becos sem saída. Tens tanto para dar e mereces receber tanto mais, porque é que só te metes em coisas que sabes que não têm futuro? Quando tentava explicar que promessas declaradamente falsas resultam melhor quando caímos, porque de algum modo já estamos à espera... Quase ninguém me entendia. O que me assustava terrivelmente era essa possibilidade remota, de gostar verdadeiramente de alguém pelo que quer que a pessoa fosse. As decepções já não me apanhavam muito de surpresa (mesmo quando corriam depressa), mas e se algo de bom entrasse na minha vida, o que é que era suposto eu fazer com isso? Tenho o coração mais fácil de partir porque as minhas almofadas já conhecem bem a humidade dos orvalhos de cada madrugada, e há muito que deixaram de se queixar dessas migalhas poeirentas que sacudo todas as manhãs... Mas que merda fui eu fazer? O que me recomendaram - tentei mudar-me, quebrei o hábito. E o que é que eu ganhei? Sacos cheios, carregados de palavras, para me caírem em cima, para me choverem pesados, para eu escrever, para eu descrever, para eu destilar...
Pensei que tinha uma hipótese. Senti-me dar folhas de mim como quem as arranca de um bloco de notas e as empresta sabendo que ninguém lhas pode devolver intactas. Todas elas deixei que manchasses de tinta. E está tudo bem. Excepto que nada está bem. Senti-me diferente. Pensei que tinha uma hipótese. Mas aprendi outra vez que era dona da razão quando dizia que o meu maior medo e a minha maior certeza são um só: toda e qualquer pessoa que entra na minha vida, há-de sair dela pelo próprio pé. O que me esmaga o coração é que as pessoas que me provam que estou certa são sempre precisamente aquelas que mais quero que me provem que estou errada. De tantos sentimentos desperdiçados, mal entregues, de tantas partes de mim que já esbanjei, de tantas e tão estúpidas maneiras... Sinto que fiz uma coisa bem feita, por uma vez na vida, e vem o vento e sopra-me tudo das mãos.
I just can't win.
E eu que estava triste, agora estou destroçada.
Por favor, peço-te que embrulhes todas as folhas que te dei, as amachuques e as guardes no bolso das tuas calças de ganga. Talvez se desgastem com o uso, e fiquem amarelecidas, talvez desbotem quando mandares a tua roupa para lavar, e com o meu cheiro a abandonar a tua tshirt também a tinta escorra delas como me escorrem as lágrimas da cara. Porque ontem mal conseguia abrir os olhos de tamanha dor de cabeça. O pior é que não posso pôr o meu peito na máquina, e nem se pudesse livrar-me de ti eu queria, percebes? Se antes sentia que nunca mais chegava a minha vez de encontrar a pessoa certa, agora sinto-me um cesto de vime que tentou carregar água - nada permanece comigo e a minha sede esgota-me cada vez mais as entranhas.
Talvez fizesse melhor em estar quieta, do que em andar a tentar ver futuros, jardins em bosques. A única coisa que ganho são cortes nos pés. E que bem que ardem estes... Como bem vai ficar pisada a única parte da minha pele que vai escurecer nos próximos meses, só porque segue o traço abaixo dos meus olhos.
Vou ter saudade tuas a cada gole de cerveja, só tomo isto por garantido. E só por isto acho que preferia passar o verão todo a bebidas quentes...