quarta-feira, 31 de outubro de 2012


introdução: estou farta de perder amigos, uma vida inteira a perder amigos.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O que é não acaba

"Seguiste sem mim. Seguiste a tua vida sem mim, enquanto eu por aqui fico à espera de uma mensagem tua, ou outra coisa qualquer. Um sinal de que ainda existes na minha vida. Algo que me lembre daquilo que um dia fomos. Que ainda somos esse algo que um dia fomos. Acredito que não me esqueceste, porque não se esquece quem se ama. Como viverei eu sem aquele

-Amo-te

Ao amanhecer. Ou aquele

-Ficas comigo para sempre?

Ao adormecer. E que será feito de mim agora que adormeço sem ti? O telemóvel toca, mas não és tu. O que esconderá o teu silêncio? Por que razão te escondes no teu silêncio? Custa-me o mundo esse silêncio. Acredita quando digo

-Ainda te amo

A meio de uma mensagem. Um dia fomos imensos. Um dia fomos fantásticos. Um dia fomos quase eternos. No entanto, as coisas boas também acabam - um dia."

PedRodrigues

Um amor que acaba é como um amor que não existiu, que não começou. Porque um amor que aconteceu, acontece sempre. Um amor que aconteceu, chora dentro de ti. E ele não acaba por as pessoas morrerem por dentro ou por fora, porque uma vez que pisaram na outra nunca morrem nela. E eu posso querer apagar-te quantas vezes quiser, mas sei que quantas mais vezes quiser arrancar de mim as memórias que julgo já não compreender, mais vezes chocarei contra mim própria e arranharei todas as paredes das minhas entranhas por dentro, e esmurrá-las-ei por fora até que deixe de te encontrar em mim e principalmente, de me encontrar em ti. Porque um amor que aconteceu, acontece sempre. Um amor que aconteceu um dia pode simplesmente parar, mas não pode acabar - acontece em mim que me lembro de que um dia algo em mim foi teu e algo em ti foi meu, e por mais que tente não posso devolver nem recuperar nada. E é isso que nos faz sentir a solidão - da condição humana - é que podemos dizer quando nos perguntam Então e vocês?, Nós acabámos. Mas não podemos realmente acabar uma pessoa que já deixámos desenhar-se dentro de nós. E os amores, os pequenos e os grandes, os fracos e os fortes, todos eles se cravaram na minha carne como um ferro em brasa numa terra fria... E todos temos sempre uma réstia de insegurança em nós, de receio que esta seja uma marca unilateral, mas o tempo mostra que nunca é. Saber que um dia brilhámos como fogo de artifício, explodimos no silêncio e ribombámos até à exosfera, saber que fomos translúcido no opaco e abismo numa paleta de cores pastéis... Saber que fomos tão somente chega para sentir... que algures no meio disso o sou se perdeu e se embrulhou e precisou de se reencontrar.
Há quem tente coleccionar amores para tentar desapegar-se mais de cada um individualmente... Mas uma pilha deles não nos ajuda em nada.
De amor em amor, vai o meu sou, que se encontra sozinho e se perde acompanhado, que se mutila porque se condena, e que se reconstitui para se dar todo de uma só vez.
De dor em dor, vou eu, que deixo bater as minhas lágrimas num poço infinitamente mais fundo que a minha almofada, que aconchego na minha garganta um monstro, um medo colossal que me gela o ritmo há várias primaveras.

E quando na rua passar por ti não vou reparar na tua presença. Não repararei, na verdade, na imagem de qualquer um dos meus amores ao longe. Repararei, genuinamente, com os pelos dos braços que se arrepiam inconscientemente na brisa silenciosa que se levanta à passagem de qualquer um deles. Assim como assim, essa electricidade, uma vez segredada, fica-nos pejada no dna. Indiferente, ser-me-á 90% das vezes. Asensível serei, quer pense nisso quer não, tantas vezes como quase todas. Mas chega o dia em que um desses amores me toca nas costas da mão com a pele quente, e isso é o suficiente para - não sempre, quase nunca, mas o suficiente para... - que, nesse um dia, uma dor de cabeça se instale e bata profundo no meu peito, e me lembre que um amor nunca acaba: Acaba sim, connosco, de vez em quando. Mas fica em-nosco para sempre.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

I'm fucked. The second I colide, there won't be anyone to pick up the trash... And there will be a hell of a lot of trash.