E estranho, estranho que ainda pense tanto em alguns pormenores insignificantes, mas estou a fazer um luto e sei que se for bem feito é suposto doer, mas os pormenores insignificantes, são esses mesmo que nos preenchem de amor, de histórias para contar, de referências e de olhares cúmplices.
Quando ouvimos uma piada que nos lembra qualquer coisa que aconteceu e olhamos para uma pessoa e só nós sabemos porque nos rimos tão íntima e inexplicavelmente... E no fim selamos tudo com um abraço carinhoso ou uma festinha no joelho ou um bro-fist e despejamos toda a nossa alegria na cumplicidade que temos.
E depois, um dia, vamos comer uma caneca de estrelitas e lembramo-nos de repente, tão estupidamente!, que durante anos não comi estrelitas, que comia estrelitas sem nada em casa da minha tia, tantas amor, que enchia o bandulho como se não houvesse amanhã e enjoei mas esta porra agora sabe mesmo bem com leite frio, sabe tão bem, dás-me mais? tens mais? dááá-me! arrotas como um homem, não acredito nisto, o que é que eu vou dizer?! desculpa love :) e não tivemos nada nós, não temos nada, não sinto nada por ti, mas quando vejo o teu número no ecrã do meu telemóvel a minha temperatura sobe e sinto a cara a arder, a pulsação a rasgar-me as veias, um nó de irritação na garganta, não acredito nisto, filha da puta, foda-se, mi atende, porque não sinto nada por ti e tu não me dás a mão e não quero que ma dês, não lhe liguei nada caralho, quero dar a minha mão ao pêlo de outro cão mas estou a fazer um luto e isso impede-me de esvaziar o peito da maneira que queria porque nunca, ninguém vai entender o que
e não quero saber de vocês para nada porque traíram todo o respeito que me deviam e não percebem isso ainda mas sonho com ela, sonho que discuto com ela e lhe despejo tudo o que sinto em cima, lhe despejo a injustiça que é, a amizade que perdeu e o que me devia.
e não gosto de ti mas acordo chateada e volto a adormecer e sonho contigo e nunca sei o que sonho, só sei que estás ali comigo e podemos falar.
e não vos quero ver, mas quero-vos enfrentar e ainda assim conseguiram o que queriam, pura e simplesmente não vos consigo imaginar juntos.
E nunca ninguém vai entender que me fizeste todo o mal que me podias ter feito e mais algum, e mais que faças a tua vida toda e não me afectes, vais ser sempre uma pessoa que sei que não vou conseguir olhar normalmente, porque por mais que sei que tentes, não podes evitar olhar-me de maneira diferente. Faças o que fizeres sabes que eu te vi primeiro.
E sobre a pele que há em mim, tu não sabes nada. Não pude eu saber da tua porque não consegui ser perdão e tu não pudeste inspirar mais raiva.
E sabe Deus que eu sei o que quero e o que preciso mas I've got an appetite for destruction baby, you know how I feel inside, e só sinto o peso a puxar-me para o que sei que é negro e pesado por dentro, tenho medo da felicidade e aceito logo à primeira tacada que não é para mim. Agora o erro, fascina-me... A remota hipótese de encaixar no desastre bate perfeitamente com as minhas paragens digestivas.
Eu entrei na sala e saltei por dentro, eu nunca lá tinha estado mas eu conhecia aquele sítio, aquele quente, aquele cheiro, eu percebi que aqueles acordes eram meus - aquelas pessoas moravam dentro de mim que eu sentia-o - era tudo tão insignificante e eu estava lá por dentro, por fora, pelos poros a gritar, era tudo tão alegre dentro de mim, e o rapaz disse-me "HELLO!" e sorri para dentro, éramos tantos, porque é que ele estava a falar para mim? Oh eu sentia-o, sabia-o tão bem, eu conheço a tua voz moço de onde é que te conheço? e ao meu sorriso ele respondeu "I'VE WAITED HERE FOR YOU" e bateu-me, procurei a sala toda numa respiração funda, quis sentir o teu cheiro, só quis por um segundo que estivesses ali, que soubesses que eu estava ali, que me olhasses nos olhos e eu soubesse que eras como eu por dentro, que nada agora tinha significado porque eu estava ali e aqueles acordes sabiam a cor do teu sangue e o peso dos teus pulmões. Eu queria... olhei, senti o rapaz a continuar e escutei-o dizer-me "EVERLONG" e percebi que tudo fazia sentido e que nada era real, tudo no mundo era um fantoche feito de farrapos de momentos, histórias que deixamos que nos gravem na pele e na alma, tatuagens que ninguém nos avisa que ficarão para sempre, como inscrições no túmulo mais profundo e que as carregaremos sempre nas nossas banalidades, nas nossas mentiras e nos nossos sorrisos forçados.
Na verdade, fui muito feliz ali. Deixei o rapaz cantar tudo e abanei-me, sacudi a antiga felicidade. Na verdade, gostei muito de estar ali em paz, liberta, levemente embriagada e com a mente mais quente e palerma, especialmente porque não estavas ali e eu não sabia de ti num raio de 100km, e tão pouco queria saber, só queria estar ali para mim.
Mas mesmo assim, só tu saberias o que eu senti naquela noite quando ouvi a minha vida "HELLO, I'VE WAITED HERE FOR YOU" e reconheci que estavam a falar comigo. Porque tu se calhar também ias sentir que estavam a falar contigo. E embora o engolisses em seco ias deixar uma lágrima cair por dentro, que só ia fazer sentido se pudesses olhar para mim naquele instante.
Porque só tu lá estavas naquela noite, e só o meu corpo gelado descansou só em cima do teu corpo quente e risonho, só as tuas costas se encostaram ao meu peito e só os meus braços descansaram só sobre os teus ombros, só porque podiam. Não sabia que não eras meu. Sempre soube que nunca foste? Agora senti que faças o que fizeres vais ser um bocadinho, para sempre, e isto só como eu, por mais que me doa, te dei um pedaço tão grande de mim que sei que o meu coração ficou contigo para a minha vida toda.
e não o vou lá buscar de volta, e muito embora nunca ninguém entenda porquê, vou deixá-lo crescer, amar, Deus sabe como e para quê, e mantê-lo sempre cheio de histórias, assim como assim, não quero mais nada...