Porto Sentido - Rui Veloso, dedicada a Raul Solnado
Quero que sejas o meu porto seguro.
Finalmente. Está bem?
Torna-se bastante fácil entender as pessoas: basta partir do pressuposto que temos todos a cabeça feita em merda, e comportamentos inexplicáveis começam de certa forma a tornar-se... bem, pelo menos plausíveis.
E abro aqui um parêntesis para o pedido de desculpa pela utilização da palavra merda, que como dizia aquele e-mail bem antigo que quase todos nós recebemos, é a palavra mais versátil da lingua portuguesa. Sei que há quem não goste de ouvir os outros dizerem as asneiras, e muito menos uma menina, que uma menina a dizer palavrões é muito grosseiro e deselegante, mas há alturas em que temos mesmo que mandar as convenções à também menina, e por sinal bonita, que a pariu. E quanto a mim, apesar de perceber o conceito, não comungo dele: uma piada ou tem piada ou não tem piada, e não é por ter asneiras ou não que o humor deixa de ser inteligente como o... ? Malandros --. como o autor, claro.
anyway, *fechar parêntesis*
Para compreender as pessoas, podem contrapor que não é suficientemente abrangente partirmos do princípio que estão todas num estado de loucura avançado, porque aí quem perderia o sentido razoável das suas acções seriam com certeza os sensatos - essa classe incrível de pessoas que parecem conseguir seguir sempre sem transtornos pela vida, como um autêntico... sei lá, uma cena que flutue sem ser suposto flutuar. Uma folha de papel, por exemplo (às vezes acontece).
Mas não perdem (o sentido razoável das suas acções). Os sensatos passariam apenas a ser os inadequados. Que no fundo já são, porque vejamos, ser são num mundo louco não é algo biológica ou evolutivamente normal, é contra natura. Mas lá sobrevivem, os sacanas com a poção mágica que não se chateiam com nada, e por vezes parecem mesmo conseguir perceber toda a gente, e não serem afectados pelos porquês de ninguém.
Porque damos sempre mais se nos derem menos, e porque damos sempre menos se nos derem mais... hum, enfim, não sei. Mas assumindo que todos temos um pedacinho de lunático gravado no nosso programa genético, isso de podermos todos ser (de vez em quando) uns idiotas chapados deixa de ser tão assustador, não deixa? :)
Peace* (and maths, cause I'm having a f*cking test on friday -.-)
Basicamente, acho que o amor não é piroso. É real, só isso.
Visto de fora mete nojo, oh pa mete. A caixa de chocolates, os corações, os chupa chupas em forma de corações, as frases feitas por gente pirosamente apaixonada... etc. Este dia é piroso como o raio!
Mas é mau? É mau receber uma flor? É mau ir almoçar com alguém? É mau ir ao cinema com alguém? É mau ir simplesmente a lado nenhum com a companhia certa?
Até eu que sou gaja para dizer constantemente que o amor não existe sou capaz de o admitir,
então, há alguém que consiga dizer clara e convictamente que não gosta de estar apaixonado?
Até o ridículo vale a pena, quando a alma não é pequena! :)
O amor é um sbem!
Era tão bom que todas as pessoas chegassem àquele sítio onde percebemos e interiorizamos que a nossa felicidade passa pela felicidade dos outros, e nunca pela infelicidade de ninguém...
Sabes que não é fácil quando a tua vida muda muito e rapidamente, sem que seja necessariamente para melhor.
Nem sempre é fácil saber o que fazer, porque as pessoas não são fáceis, e nem é suposto que sejam, e tornam difícil saber medir aquilo que fazemos em consequência do que (pensamos que) recebemos.
Se fores uma pessoa segura de ti e forte, provalmente passas por cima, mas é tão provável isso como o seres atropelado por aquilo que não esperas nem desejas em demasiadas frentes. E aí talvez percebas o porquê de algumas pessoas se revelarem inseguras, quando na verdade não o querem mostrar - que eu ainda estou para perceber quando assim é.
Não é fácil, esforçarmo-nos por dar a amor às pessoas de quem gostamos e recebermos facadas. Não é. Não é fácil ser leal, e abandonado. Não é fácil ver aquilo que julgamos construir ser imparavelmente destruído dentro das nossas próprias mãos. Talvez porque muitas vezes quando julgamos agir pelo melhor, acabamos por fazer com que as pessoas não consigam mais estar perto de nós.
Mas é justo, na realidade. Se calhar é justo, não digo que não.
Mas não vou mentir: dói.
